Na escola inclusiva a diversidade deve ser respeitada, valorizada e atendida em detrimento da homogeneidade. O professor deve organizar seu planejamento centrado no aluno. Deve haver a compreensão de como ocorre o processo de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, somado o conhecimento de sua realidade familiar e social, suas características pessoais, seus interesses e peculiaridades, seu processo de aprender e necessidades de aprendizagem.
O professor deve possibilitar o desenvolvimento de um ambiente onde as diferenças individuais sejam valorizadas e as barreiras de aprendizagem e de interação sejam transpostas.
Para realizar um planejamento de atividades que objetive o desenvolvimento dos processos mentais dos alunos com deficiência mental há a necessidade de conhecer como esses processos se realizam e tais atividades deverão ser pensadas de acordo com as especificidades dos alunos.
Durante muitos anos, os alunos com deficiência mental foram compreendidos sob um enfoque limitante e determinista. Conforme a teoria skinneriana os reforços recebidos pelos sujeitos diante de determinados comportamentos poderiam facilitar a aquisição de novos conhecimentos. Nessa abordagem a deficiência mental era considerada uma conduta atrasada que poderia, através da organização de estímulos do ambiente, ser modificada e, para tanto o professor deveria ter competências para controlar e manipular as condições do ambiente.
Através dessa concepção, a abordagem comportamentalista de Burrhus Frederic Skimner, não favoreceu o ingresso dos alunos com deficiência nas escolas regulares, deixando-os segregados e fazendo da educação especial um serviço paralelo da educação regular possuindo inclusive metodologias de ensino e currículos próprios.
A partir da necessidade de repensar o processo de exclusão das minorias, novas possibilidades de ensino são pensadas. Profissionais da educação, familiares e sujeitos com deficiência passam a desenvolver uma prática constitutiva do sistema regular comum de educação do país, com ênfase a uma abordagem interacionista e sócio – interacionista, destacando a importância para a interação do sujeito com o mundo que o cerca.
Segundo Jean Piaget, a construção do conhecimento se dá na ação recíproca e interativa entre sujeito e os objetos do conhecimento. Os indivíduos nascem com estruturas biológicas e neurológicas que ao longo do desenvolvimento dão lugar a estruturas mentais, que são organizadas e reorganizadas, a partir da interação do sujeito com o ambiente.
O desenvolvimento se dá, segundo Piaget pela organização progressiva da mente, a partir de processos de assimilação e acomodação ( MAGALHÃES, 2003 ). Quando novas questões são apresentadas, estas são desafiantes e a tendência é procurar soluções para elas. Quando as estruturas se mostram insuficientes para resolver determinadas questões, precisamos modificá-las para encontrar meios mais adequados para lidar com tal situação ( adaptação ).
Inheldes identifica que a criança com deficiência mental vivencia os mesmos estágios que uma criança que não possui tal deficiência, porém, na maioria dos casos de forma mais lenta.
Vygostsky elabora sua teoria a partir de um sentimento de inquietação e não concordância com os pressupostos defendidos pelo comportamentalismo.
O sujeito, segundo Vygotsky, era um sujeito interativo, porque constrói o conhecimento e se constitui a partir das relações intra e interpessoais que estabelece ao longo de sua vida. Afirmou que é na troca com outros sujeitos e consigo próprio, que os conhecimentos são internalizados, assim como os papéis e as funções sociais, o que permite a constituição de conhecimentos e da própria consciência.
Conforme os estudos de Vygotsky, o desenvolvimento das crianças que possui deficiência mental dá-se da mesma forma que o desenvolvimento de crianças que não possuem essa especificidade. Vygotsky aponta que a intervenção pedagógica deve primar pela ação nas funções psicológicas superiores.
A partir dos pressupostos vygotskyanos, precisamos e devemos utilizar recursos pedagógicos variados para realização de práticas pedagógicas, respeitando sempre as especificidades individuais de nossos alunos e utilizando também o material concreto. Esses materiais devem ser empregados nas situações de ensino e aprendizagem propondo atividades que se desencadeiem em uma progressão sistemática do nível concreto ao abstrato, em direção à apresentação mental.
Algumas práticas tendem a valorizar apenas o nível de desenvolvimento real dos alunos. Para Vygotsky, tanto quanto o nível real, necessita ser considerado o desenvolvimento potencial.
Intervindo, provocando, estimulando e apoiando quando a criança demonstre dificuldade num determinado ponto, através de experiências de aprendizagem compartilhadas e mediadas, atuamos na zona de desenvolvimento proximal.
Vygotsky acreditou na capacidade de aprendizagem de todos os sujeitos, discordando das concepções teóricas que defendiam a estagnação e a cristalização da capacidade intelectual dos alunos com deficiência mental. Todos nasceram com a capacidade de aprender. Dessa forma, a pessoa com deficiência não é inferior aos seus pares, apenas apresentam um desenvolvimento qualitativamente diferente e único.
As atuais políticas de educação inclusiva encontram na teoria vygotskyana os principais argumentos para sua defesa, pois acreditam que possibilitar que alunos com diferentes ritmos de desenvolvimento interajam em espaços não segregados é proporcionar a realização de um ensino que se adianta a aprendizagem; oferece aos alunos desafios constantes; e trabalha nas zonas de desenvolvimento potencial, transformando aprendizagens potenciais em conhecimentos reais.
Pela ótica vygotskyana, o planejamento deverá prever situações em que os alunos, trabalhando na perspectiva da cooperação, estabelecem trocas qualitativas entre si. Os alunos com deficiência mental devem ser estimulados, por meio por meio da resolução de problemas, a transpor seu nível de desenvolvimento real.
É necessário desenvolver atividades que estimulem os processos mentais superiores dos alunos com deficiência mental. No espaço de aprendizagem, aluno e professor, juntos, através da reflexão, resolvem problemas, superando desafios, transcendem obstáculos e limitações.
Todos, independentemente de suas dificuldades, terão a possibilidade de alcançar a construção de conhecimentos, o exercício consciente da cidadania e uma efetiva participação na sociedade.
A escola inclusiva, portanto, é aquela que a concebe e põe em prática um currículo que tenha como princípio o compromisso de uma sólida formação integral do aluno, oferecendo-lhe instrumentos que lhe sirvam para proceder à análise e a reflexão crítica acerca da realidade em que se insere, contribuindo para a superação de desigualdades sociais.
Essa premissa está apoiada na idéia de que esse currículo deve ser o mesmo para todos os alunos, pois, como cidadãos todos têm o direito à igualdade de oportunidades.
A partir das contribuições da teoria sócio–histórica que fundamenta as atuais políticas educacionais, temos como pressuposto que todas as crianças e jovens podem aprender e que esse aprendizado se dará nas diferentes relações do sujeito com seu grupo social mediadas pela ação de colegas mais experientes.
Na tentativa de articular discursos e práticas da educação regular e especial, tomam corpo os fundamentos das teorias socioculturais, apoiadas nos estudos de Vygotsky, Luria e Leontiev, cujo foco da educação direciona-se às mudanças a serem realizadas nas concepções e nas práticas das instituições educativas, que devem colocar a produção material e tecnológica humana, historicamente elaborada, a serviço das necessidades dos sujeitos com deficiência ou problemas de aprendizagem.
Diante da reflexão do conteúdo apresentado na Unidade A “Atividades para o desenvolvimento dos processos mentais dos alunos”, não acredito na existência de atividades específicas e diferenciadas desenvolvidas para os alunos que possuem deficiência mental daquelas que são desenvolvidas com os alunos que não possuem essa deficiência. Ensinar é um ato coletivo, no qual o professor disponibiliza a todos os alunos, sem exceção, um mesmo conhecimento.
Aprender é uma ação humana criativa, individual, heterogênea e regulada pelo sujeito da aprendizagem, independentemente de sua condição intelectual ser mais ou menos privilegiada. São as diferentes idéias, opiniões, níveis de compreensão que enriquecem o processo escolar e clareiam o entendimento dos alunos e professores. Essa diversidade deriva de formas singulares de nos adaptarmos cognitivamente a um dado conteúdo e da possibilidade de nos expressarmos abertamente sobre ele.
Ao invés de adaptar e diferenciar o ensino para alguns, a escola comum precisa recriar suas práticas, mudar suas concepções, rever seu papel, sempre reconhecendo e valorizando as diferenças.
O trabalho de Vygotsky sugere que os alunos devem ter oportunidades para aprender cooperativamente e devem ser estimulados a usar a linguagem para organizar seu pensamento. Assim sendo, o processo de aprendizagem, no que diz respeito à formação de conceitos pelo aluno, é desencadeado numa dialética de definição, problematização e sistematização, conduzindo-o a internalizar o conceito e relacioná-lo em diferentes situações. O compromisso com a aprendizagem dos alunos com necessidades especiais exige-nos pensar coletivamente a prática pedagógica, buscando cada vez mais explicar os pressupostos teóricos que fundamental tal práxis. Com base na abordagem mencionada anteriormente, compreende-se o processo de aprendizagem e desenvolvimento como um processo interativo, de troca e aquisições, respeitando os diferentes ritmos, as diferentes realidades. Entende-se que também das pessoas com necessidades especiais, na qualidade de sujeito, constitui-se historicamente e socialmente, sendo produto e produtos de sua história por meio de suas interações sociais.

4 comentários:
Boa tarde!!! quero te dizer que ter achado o seu blog, foi muito importante para mim!! Estou fazendo o curso de AEE e o seu blog esta me ajudando muito!!??
PARABENS!!!
SARAH
Olá,bom dia! Se a melhor forma de aprender é com a interação e com o meio em que vivemos os chamados normais com os que tem uma deficiência então nem pensar em divisão,e sim neste universo de especulação.Descobri a pouco que tenho autismo, e passei uma vida com este prob de comunicação,se estivesse feito psicoterapia com trabalho cognitivo hoje poderia estar bem
Onda.bom dia
Boa tarde, quais as atividades que cabem em conteudos de estrategias para o desenvolvimento de processos mentais
Boa noite! Também gostaria de sugestões de conteúdos e estratégias para o desenvolvimento de processos mentais. Estou meio perdida. Obrigada.
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