Presencia-se de forma significativa a existência de concepções de deficiência presas às limitações e dificuldades que esses sujeitos podem apresentar. Segundo COOL (1995), em todo grupo de crianças com algum tipo de déficit, também nos atrasados mentais, podem – e costumam – acrescentar-se dificuldades sociais, na forma de atitudes de rejeição, de incompreensão, ou de compaixão: em geral de estereótipos e de preconceitos, seja por parte de colegas, ou dos próprios professores. Indubitavelmente, sem uma modificação dessas atitudes, qualquer tentativa de integração seria desastrosa. Mas as atitudes são modificáveis; e, em particular, os preconceitos de estereótipo e rejeição de grupos sociais diferentes costumam, de fato, modificar-se a partir de um contato real com pessoas concretas desses mesmos grupos. Por isso, nem é preciso, nem tampouco é conveniente aguardar o desaparecimento dos preconceitos para realizar a integração escolar. Esta própria integração convenientemente ordenada e disposta pode contribuir para derrubar as barreiras sociais do preconceito.
Reconhece-se a necessidade de que professores sejam eles da educação especial ou da classe comum, discutam e reflitam determinadas atitudes, compreendam determinadas ações, pensamentos e comportamentos que legitimam preconceitos ocorridos na escola, para que possam efetivamente contribuir no processo de inclusão de alunos com diferentes potencialidades.
É imprescindível refletir sobre as responsabilidades do professor da sala de recursos. Consta no artigo 58º - § 1º, da LDB, Lei nº 9394/96, que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular para atender às peculiaridades da clientela de educação especial”. Considerando assim, ser de responsabilidade do professor da sala de recursos prestar “apoio especializado”, a fim de garantir o atendimento às peculiaridades dos alunos das necessidades educacionais especiais, porém é necessário enfocar que o “apoio” nem sempre deverá se restringir as quatro paredes da sala de recursos, como também, dependendo da sua função, ele nem mesmo se restringirá ao aluno, conforme conteúdo relacionado no material de apoio do módulo.
O professor da sala de recursos deve contribuir de maneira relevante no desenvolvimento da autonomia e interação em ambientes sociais valorizando as diferenças e a não discriminação.
As funções do professor da sala de recursos não se limitam somente a desenvolver os processos mentais superiores, realizar o apoio pedagógico ao aluno com deficiência mental, interagir com o contexto de sala de aula, desenvolver estratégias de vínculos entre pais e escola, mediar à sensibilização dos atores envolvidos no processo de inclusão, proporcionando reflexões, suporte teórico-prático e intervenções pedagógicas frente aos alunos com deficiência mental, mas especialmente ser um mediador, um articulador do processo de inclusão de alunos com deficiência mental.
O fato de estar atuando numa sala de recursos pólo e as escolas de abrangência possuir alunos com deficiência mental e alunos com necessidades educacionais especiais em sala regular, não garantem o mérito de serem reconhecidas como escolas inclusivas. Nem sempre os profissionais envolvidos nesse processo conseguem responder com competência e qualidade às necessidades de aprendizagem. O intuito de colaborar com a sustentabilidade do processo de inclusão deve acontecer baseado no sistema de parcerias.
Atualmente a minha oportunidade de resolver problemas na escola está presente, mas a colaboração ainda é ineficaz em sua plenitude. É fundamental acreditar que o trabalho especializado contribuirá para o fortalecimento desses vínculos na escola.
É imprescindível o estabelecimento de vínculos de apoio entre os sujeitos envolvidos no processo educacional, aspecto esse contemplado no Art. 8º da Resolução CNE/NEB nº 02/01, “as escolas da rede regular de ensino devem prever e prover (...)VII – sustentabilidade do processo inclusivo, mediante (...) trabalho de equipe na escola e constituição de redes de apoio (...)”. Pois, o estabelecimento dessa parceria entre corpo docente, diretores, supervisores, coordenadores, orientadores educacionais e família se constituirá como o sustentáculo capaz, tanto de identificar e analisar as possíveis barreiras que se interpõem no processo de inclusão, quanto de propor alternativas passíveis de superá-las.
A partir dessa parceria a escola estará apta a desenvolver a autonomia e interação dos diferentes sujeitos que nela atuam, tornando-se um ambiente social que verdadeiramente valoriza as diferenças e a não discriminação; evita comportamentos de dependência e passividade dos alunos em processo de inclusão diante da realidade que os cerca, e trabalha para a conquista da independência, autonomia e superação das dificuldades desses alunos em seus processos de aprendizagem, colaborando de forma determinante na efetivação da proposta de uma educação para todos.
É preciso a certeza de que a inclusão escolar não se realiza apenas por discursos e vontade política. Sua concretização incide em mudanças estruturais nas concepções e práticas que norteiam o currículo escolar, implicando a ação de pais e familiares, de professores e equipe técnico-pedagógica e dos órgãos centrais de educação em um esforço comum na remoção de barreiras como o medo e o preconceito, e de barreiras à aprendizagem.
O atendimento educacional especializado deverá potencializar a idéia de que há diferentes caminhos para se chegar ao conhecimento e o professor deve desempenhar o papel de ajuda e apoio, realizando intervenções variadas e adaptadas às dificuldades encontradas pelos alunos.
O atendimento da sala de recursos deve ser incorporado corretamente na dinâmica da escola, para que tenham uma repercussão didática sólida e possibilite a reflexão sobre a prática profissional. É indispensável estabelecer um contexto de colaboração com os professores e a escola diante de qualquer objetivo estabelecido. O trabalho realizado é complementário dos professores, para tentarmos resolver, discutir ou atingir determinadas situações; precisamos da sua informação e conhecimentos e acreditamos que, a partir do momento em que ele solicita nossa ajuda devemos estabelecer uma colaboração eficiente.
É conveniente falar e fazer acordos conjuntos sobre o plano de trabalho, estabelecer funções, tarefas, acordos e compromissos. Será necessário estabelecer relações construtivas e acreditar que pela colaboração conjunta haverá interação, maior dinamismo e confiança na mudança. Trata-se de buscar estratégias pertinentes e adequadas.
A finalidade básica do atendimento educacional especializado será no que consiste em ajudar a promover mudanças, intervindo diante de problemas que a escola coloca (individuais, de grupo ou metodológicos), como também colaborar para melhorar as condições, os recursos e o ensino, numa perspectiva de co-responsabilização e co-participação dos segmentos envolvidos.

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