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sábado, 23 de agosto de 2008

Preparação de materiais e atividades específicas para o desenvolvimento da participação e aprendizagem de todos os alunos


Considera-se que o planejamento deve romper a concepção de que existe uma única forma pela qual os alunos constroem sua aprendizagem. É imprescindível considerar a concepção de uma aprendizagem significativa, cooperativa e da utilização do computador na educação como possibilidades de intervenção que poderão ser consideradas pelo professor no desenvolvimento de atividades específicas para o desenvolvimento da participação e aprendizagem de todos os alunos a serem desenvolvidas na sala de recursos.O planejamento é o fio condutor do processo ensino-aprendizagem. É no planejamento que os objetivos são articulados às estratégias, ou seja, é por meio dele que as práticas educacionais tornam-se adequadas às reais necessidades dos alunos. Conforme exposição de Fusari (2004) “o importante é manter o planejamento como uma prática permanente de crítica e reflexão”.Ao planejar atividades em sala de recursos, é relevante observar no aluno a sua realidade familiar e social, suas características pessoais, seus interesses e peculiaridades, o seu processo de aprender, suas necessidades de aprendizagem, o que ele já sabe e o que está em vistas de aprender. Considerando esses aspectos será organizado um planejamento que contemple suas reais necessidades e potencialidades de aprendizagem, para que assim, possam aprender e conseqüentemente se desenvolver.Conforme consta no Art. 8º da Resolução CNE/CEB nº 02/01, no inciso V, em sala de recursos será realizada “a complementação ou suplementação curricular”, bem como, no inciso IV, alínea “a”, as classes comuns devem contar com a “atuação colaborativa de professor especializado em educação especial”. A partir do exposto compreende-se que a organização do planejamento deve superar a prática fragmentada e desarticulada, onde o professor de sala de recursos e o professor de sala de aula realizam individualmente os seus trabalhos, pois, mesmo que ambos estejam capacitados, individualmente farão menos que o necessário na construção de uma escola para todos. No momento em que se estabelecem trocas de experiências, trabalho em equipe, em cooperação há uma percepção coesa e compreensiva das barreiras de aprendizagem e dos diferentes tipos de aprendizagem dos seus alunos. O planejamento alicerçado na coletividade contribuirá para a definição de objetivos e da escolha de procedimentos e recursos que atendam as reais necessidades dos alunos.Quanto mais diversificados e adequados forem os métodos de ensino, menores serão as barreiras de aprendizagem e maiores serão as possibilidades de superação das necessidades educacionais especiais.É necessário refletir sobre o processo ensino-aprendizagem e considerar que não existe um método ideal e que de forma alguma deva ser utilizada uma gama de métodos indiscriminadamente. O planejamento deve ser entendido como um processo e deverá ser flexível e passível de alteração sempre que necessário.Na teoria de aprendizagem significativa desenvolvida por David Ausubel que se refere no âmbito específico da aprendizagem, postula-se, segundo Moreira (1999, p.11), ocorre quando uma nova informação “ancora-se” em conhecimentos especificamente relevantes (subsunçores) pré-existentes na estrutura cognitiva. Ou seja, novas idéias, novos conceitos, proposições podem ser apreendidos significativamente (e retidos) na medida em que outras idéias, conceitos, proposições relevantes e inclusivos estejam adequadamente claros e disponíveis na estrutura cognitiva do indivíduo e funcionem, dessa forma, como ponto de ancoragem para os primeiros. Entende-se que o aluno com deficiência mental aprende significativamente quando estabelece conexões do novo conteúdo com conceitos já conhecidos. Nesse processo de construção, não ocorre uma simples associação, mas uma interação entre os conceitos pré-existentes e a nova informação, os quais servem como ancoradouro para que o novo possa adquirir significado para o sujeito.Através do exposto pelo MEC (2003, p.161) o aluno não constrói significados a partir dos conteúdos de aprendizagem sozinho, mas em uma situação interativa, na qual os docentes têm um papel essencial, já que qualquer coisa que façam ou deixem de fazer é determinante para que o aluno aprenda ou não de forma significativa, pode-se identificar que o ensino deve agir na zona de desenvolvimento proximal, nos aproximando dos postulados de Vygostsky.Faz-se necessário a ressignificação de muitas práticas adotadas em sala de recursos, as quais focam única e exclusivamente na figura do professor a responsabilidade no processo de ensino. Um recurso possível, nesse processo, é o enfoque na aprendizagem cooperativa, a qual segundo Monereo & Gisbert (2005, p.11) “é uma metodologia que transforma a heterogeneidade, isto é, as diferenças entre os alunos – que logicamente encontramos em qualquer grupo – em um elemento positivo que facilita o aprendizado” complementando ainda, que “a potencialização das interações entre os alunos, favorecida pelo trabalho cooperativo, é um motor para a aprendizagem significativa”(op. Cit,p.12). É necessário conhecer os alunos e constituir grupos com níveis de aprendizagem diferentes, podendo assim aproveitar a riqueza das diferenças enquanto promotoras de situação de aprendizagem.Quando um aluno atua como mediador da aprendizagem de um colega ele tem a oportunidade de dominar mais profundamente os conteúdos desenvolver habilidades de liderança, auto-estima e resolução de conflitos.A aprendizagem cooperativa não desconsidera a contribuição individual de cada membro do grupo. Os alunos trabalham juntos para cumprir objetivos e tarefas compartilhadas, percebem que só conseguirão atingir seus objetivos se os membros do grupo conseguirem os seus e buscam resultados que beneficiem a todos.Para efetivamente caracterizar um trabalho de colaboração entre os alunos, o professor deve organizar um planejamento que favoreça condições onde se desencadeie a cooperação do grupo. Conforme Johnson e Holubec deverá acontecer interdependência positiva (reconhecimento grupal e divisão de recursos), interações face a face (dinâmicas interpessoais), responsabilidade individual (difusão de responsabilidades), habilidades sociais ( comunicação e participação) e auto-reflexão de grupo (reflexão e tomada de decisões sobre reajuste e melhoria).O professor deve planejar, supervisionar e avaliar constantemente o desenvolvimento das atividades cooperativas, sendo que, as competências até mesmo aumentam, pois além de identificar se as atividades consideram os conhecimentos prévios dos alunos e se estão adequadas as suas necessidades e aptidões de aprendizagem, deve ainda avaliar se os alunos compreenderam a proposta de trabalho e o grupo apresenta as condições necessárias.A utilização do computador na educação pode apresentar funções diferenciadas, de acordo com a concepção educacional de cada educador. O computador não é o detentor do conhecimento capaz de ensinar todos os conteúdos aos alunos, mas é concebido como uma ferramenta utilizada para a resolução de problemas. “Essa abordagem consiste em criar situações que permitem ao aluno resolver problemas reais e aprender com o uso e com a experiência, com os conceitos envolvidos no problema que está sendo resolvido” (SCHULÜNZEN,2000, p.76).

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